Maria, mãe da Esperança


Inicio esta reflexão invocando Maria com o titulo de Mãe da Esperança, para que ela nos ensine a viver a nossa missão com esperança, nos ensine a esperar com confiança, a crescer na fé. Especialmente neste tempo em que a sociedade vive a desesperança, o medo, a insegurança econômica, a desunião na família, nós somos chamadas a ser sinais de esperança.

Com este compromisso de levar a esperança a todos os nossos irmãos, lembramos a exortação do Papa Francisco: “Olhar com esperança o futuro e com gratidão o passado…”, sem medo, pois não estamos sozinhas, Deus caminha a nossa frente. Ele é a seta que nos indica o caminho. É a sentinela que se coloca à frente da porta para nos proteger.

O Papa Francisco ainda insiste: “Vós não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande historia para construir.” Pensando nestas palavras proféticas, podemos nos fortalecer para continuar construindo a nossa história, com esperança, com fé, e com a certeza de que juntas, como irmãs, somos capazes de grandes coisas.

Sim, nós temos uma história bonita para recordar, temos gratidão pelas irmãs que nos precederam, e tudo de bom que nós mesmas já ajudamos a construir. Esta certeza nos faz agradecer, louvar e bendizer a Deus por tanto bem que Ele já realizou pelas nossas mãos.

Por este motivo, convido cada Irmã a olhar para o futuro com muita esperança, este futuro para o qual nos projeta o Espírito Santo, este mesmo Espírito que pode realizar conosco e por nós coisas ainda maiores (cf Jo 14,12-14). Vamos nos fortalecer, unidas neta confiança.

Olhando o Evangelho de Marcos “Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda criatura…” (Mc 16,15) ouvimos novamente a voz de Jesus que continua nos chamando, continua nos dando uma missão. Não podemos esquecer o primeiro chamado, o primeiro amor; isto nos fortalecerá para assumirmos com esperança tudo o que Deus nos pede no hoje da nossa história pessoal e da história da nossa família Religiosa. Temos ainda muito a construir, temos novas fronteiras para descobrir, temos a periferia do mundo para andar.

Como cristãs consagradas, temos a dupla missão de dar testemunho da nossa esperança. Temos o dever e a graça de proclamar ao mundo as razões da nossa fé e da nossa esperança (cf. 1Pd 3, 15), pois sabemos em Quem acreditamos (cf. 2Tm 1, 12). Esta certeza nos fortalece na missão.

Precisamos perceber que esta sede que sentimos, este sentimento de esperança, de confiança, esta certeza de que ainda temos muito a fazer, é sede de Deus, de algo que não sabemos explicar, mas que nos faz felizes, nos enche de alegria e nos dá força para seguir em frente, mesmo  quando as forças físicas nos faltam.

sETE DONSDas três virtudes teologais a esperança é a menor das três, por isso deve ser a mais apaixonadamente vivida, especificamente em tempos de tanto desesperança como hoje. É necessário esperar contra toda esperança. Nesta esperança encontraremos Jesus Cristo ressuscitado que é nossa Páscoa, e por isso a nossa esperança.

A Solenidade de Pentecostes nos dá a certeza de que Cristo não nos deixou sozinhos, enviou seu Espírito para nos fortalecer. Vivemos tempos difíceis, mas o amor cristão nos ensina que a caridade, ou seja, o amor a Deus, expressado nos serviço ao irmão nos faz portadores de Esperança. Mediadores da paz, cristãos segundo Seu Espírito de Ressuscitado.

Somos chamadas a fortalecer nossa marca franciscana, nosso carisma e opção primeira de viver em fraternidade. O amor fraterno se constrói dia a dia nas coisas simples do cotidiano, na paciência umas com as outras, na abertura de coração, na acolhida do diferente, na partilha, no anúncio. “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu, nisto conhecerão que sois meus discípulos” (Jo 13,34-35).

Hoje mais do que ontem, precisamos nos converter, mudar a direção da nossa vida em busca do rosto de Deus nos irmãos, sem esquecer que a conversão é sempre martírio, é dar a vida dia a dia por Aquele que amamos.

Nosso querido Dom Pedro Casaldáliga, o bispo dos pobres, nos recorda que: “todo cristão, e especialmente o cristão consagrado deve adquirir os Traços do homem novo, ou seja, lucidez crítica, gratuidade admirada; recuperar a capacidade de assombrar-se de descobrir, de agradecer. Liberdade desinteressada, criatividade em festa, fraternidade igualitária, testemunho coerente e esperança utópica”.

Acentuando que a Vida religiosa hoje exige muita renúncia, é preciso renunciar para escolher, escolher aquilo que é próprio da nossa vida, da nossa opção de consagrados. Sempre, contudo, na liberdade do espírito, anunciando pelo testemunho de vida e talvez do martírio, denunciando pelo escândalo da cruz de Cristo. Afirmando com São Paulo: “Tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém” (1Cor 6,12).

A santidade do Espírito Santo se personaliza em Maria. Maria carrega uma santidade substancial, aquela própria de quem se deixa guiar totalmente pelo Espírito Santo (cf Lc 1,35). Esta santidade que devemos almejar e buscar; a santidade de quem ouve a voz de Deus e a coloca em prática.

Feliz porque creste” (Lc 1,45). A fé consiste justamente na atitude de radical entrega a Deus e a Seu desígnio, mesmo quando desaparecem as razões, mesmo quando não sabemos, nem entendemos o que Deus quer de nós, da nossa Província, do nosso Instituto. Maria é este grande exemplo, antes de conceber Jesus no seu seio, ela creu e o concebeu em seu coração.

Esta fé firme, esperançosa, fez de Maria a mãe da Esperança e faz de nós sua filhas, mulheres de fé e portadoras da esperança. Não podemos esmorecer, nem ter medo de arriscar; SOMOS FILHAS, MÃES e IRMÃS da ESPERANÇA.

Maria é santa por uma santidade também conquistada no sofrimento. Ela é a seta que nos indica o caminho da perfeição. Ela nos mostra que a cruz deve ser vivida e, proclamada na alegria. Ela é aquela que esteve em pé junto da cruz (cf. Jo 19, 24).

Ser santo/a implica um processo de radical humanização; quanto mais humano se apresenta alguém, tanto mais o divino aflora nele, até a completa divinização como em Maria, cheia de graça e do Espírito Santo (cf. Lc ,28).N S da Esperança

Neste mês tão significativo, peçamos a Maria, Mãe da Esperança, que ilumine nosso caminho de Província, que seja nosso modelo de fraternidade, ela que tão cheia do Espírito Santo quis servir sua prima e nos deu um grande exemplo de disponibilidade (cf Lc 1,39-56).

Sejamos também nós inteiramente disponíveis a ação de Deus em nossa vida, abertas para receber os dons do Espírito Santo. Olhemos com esperança o futuro e com muita gratidão o passado e com fé vivamos o presente, como ele realmente é: um PRESENTE de Deus.

Maria, nossa Mãe Especialíssima, olhe pela nossa Província e cubra-nos com sua poderosa proteção; passe à frente em todas as nossas ações e oriente o nosso caminho e missão.

Fraternalmente,

Irmã Virgínia Matias Homem

Superiora Provincial


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