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{"id":4489,"date":"2015-09-14T15:18:02","date_gmt":"2015-09-14T17:18:02","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/?p=4489"},"modified":"2015-09-14T15:18:02","modified_gmt":"2015-09-14T17:18:02","slug":"informacao-nossa-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/?p=4489","title":{"rendered":"Informa\u00e7\u00e3o nossa de cada dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><em><\/em><a href=\"http:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/INFORMA\u00c7\u00c3O-NOSSA-DE-CADA-DIA.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4490 alignleft\" src=\"http:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/INFORMA\u00c7\u00c3O-NOSSA-DE-CADA-DIA-555x400.jpg\" alt=\"INFORMA\u00c7\u00c3O NOSSA DE CADA DIA\" width=\"309\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/INFORMA\u00c7\u00c3O-NOSSA-DE-CADA-DIA-555x400.jpg 555w, https:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/INFORMA\u00c7\u00c3O-NOSSA-DE-CADA-DIA-245x177.jpg 245w, https:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/INFORMA\u00c7\u00c3O-NOSSA-DE-CADA-DIA-720x519.jpg 720w, https:\/\/franciscanasalcantarinas.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/INFORMA\u00c7\u00c3O-NOSSA-DE-CADA-DIA.jpg 752w\" sizes=\"(max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/a>O universo da Internet \u2013 com suas in\u00fameras redes social e suas mil possibilidades de contato, comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o \u2013 representa hoje um poderoso s\u00edmbolo de inclus\u00e3o social. A tal ponto que as pessoas impossibilitadas de acesso a esse mundo deslumbrante e encantado constituem uma nova categoria dentro da exclus\u00e3o social: os exclu\u00eddos virtuais. A revolu\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica em geral, e a Internet em particular, representam igualmente uma espantosa acelera\u00e7\u00e3o do tempo, bem como a aboli\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias. Com isso o termo not\u00edcia, nos dias que correm, \u00e9 sin\u00f4nimo de informa\u00e7\u00e3o imediata, simult\u00e2nea aos fatos, &#8220;em tempo\u201d ou &#8220;ao vivo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Disso resulta que nada \u00e9 mais velho que o jornal de ontem, da mesma forma que as ocorr\u00eancias transmitidas pela manh\u00e3 tornam-se, pela tarde, ou recicladas ou simplesmente indigestas. Quem se disp\u00f5e a acompanhar, ainda que de forma superficial, o notici\u00e1rio quotidiano anseia por algo novo e in\u00e9dito a todo o momento. E sente-se frustrado quando suas expectativas n\u00e3o se confirmam. A novidade, seja ela qual for e venha de onde vier, \u00e9 a \u00fanica coisa que interessa. Tornamo-nos quase t\u00e3o sedentos e necessitados de &#8220;coisas novas\u201d como de \u00e1gua, ar ou comida. Reportagens de car\u00e1ter educativo, document\u00e1rios especiais, programas um pouco mais elaborados e reflexivos, uma viagem pela hist\u00f3ria e pela tradi\u00e7\u00e3o cultural de determinado pa\u00eds \u2013 tudo isso foi desbancado pelo poder, o fasc\u00ednio e a sedu\u00e7\u00e3o da novidade instant\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Empanturramo-nos com uma avalanche di\u00e1ria de fatos e botos, vers\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es, cada uma mais espetacular e sensacional que a outra. A consequ\u00eancia l\u00f3gica \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 tempo para digeri-las de forma cr\u00edtica e adequada. Semelhante acelera\u00e7\u00e3o e atropelo do tempo e da hist\u00f3ria nos remetem a uma pertinente observa\u00e7\u00e3o de Henry Lefebvre, na passagem dos anos 1970 para 1980. Segundo esse soci\u00f3logo franc\u00eas, o processo formativo de qualquer ser humano comporta tr\u00eas est\u00e1gios essenciais e entrela\u00e7ados: dimens\u00e3o informacional, dimens\u00e3o reflexiva e dimens\u00e3o relacional (Cfr. LEFEBVRE, Henry, Sociologia da vida cotidiana).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro est\u00e1gio \u2013 dimens\u00e3o informacional \u2013 tem a ver com o volume de informa\u00e7\u00f5es que recebemos pelas mais diferentes vias: as conversas de rua, o r\u00e1dio, a televis\u00e3o, o jornal, as revista e demais peri\u00f3dicos, a Internet, etc. Esse volume tem crescido de tal forma nas \u00faltimas d\u00e9cadas que, atualmente, tornou-se imposs\u00edvel acompanhar os acontecimentos, ainda que de forma superficial. Menos ainda ruminar sobre eles, buscando algum sentido que os interligue. A quantidade sem precedentes das informa\u00e7\u00f5es atropela qualquer tentativa de qualific\u00e1-las, selecion\u00e1-las, estabelecer certa hierarquia ou prioridade. Chega-se a uma verdadeira banaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o: satura, entorpece e cega!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em segundo lugar \u2013 dimens\u00e3o reflexiva \u2013 \u00e9 o est\u00e1gio que consiste justamente na capacidade de criar um ju\u00edzo cr\u00edtico frente a essa &#8220;tempestade\u201d ininterrupta de not\u00edcias. Aqui outro dado entra em cena: na pressa e di\u00e1ria, particularmente intensa no universo urbano, as multid\u00f5es se convertem numa esp\u00e9cie de correnteza semelhante \u00e0s \u00e1guas de um rio. N\u00e3o h\u00e1 tempo para parar e escutar no sentido de, s\u00f3 ent\u00e3o, emitir o pr\u00f3prio parecer. Em meio aos ru\u00eddos das metr\u00f3poles, os ouvidos perdem sua sensibilidade. Todos falam, correm e gritam, mas ningu\u00e9m \u00e9 capaz de se fazer ouvir. A faculdade cr\u00edtico-reflexiva v\u00ea-se atrofiada diante das exig\u00eancias cada vez mais imediatas do dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por \u00faltimo \u2013 dimens\u00e3o relacional \u2013 \u00e9 o est\u00e1gio que aponta para o di\u00e1logo com outras vis\u00f5es de mundo. Trata-se de responder a uma simples pergunta e direta: at\u00e9 que ponto nos dispomos a confrontar entre si o &#8220;nosso saber\u201d em rela\u00e7\u00e3o a &#8220;outros saberes\u201d, na busca de um aprendizado rec\u00edproco? Neste caso, mais que uma atitude de abertura, compreens\u00e3o e reconhecimento, prevalece o medo e\/ou discrimina\u00e7\u00e3o e agressividade frente ao &#8220;outro, o estrangeiro, o diferente\u201d. Em lugar de comunidades (caracterizadas pelo pluralismo e a m\u00fatua aceita\u00e7\u00e3o), predominam os guetos (marcados pelo fechamento e a autodefesa). De fato, o acirramento das identidades locais, territoriais, \u00e9tnicas, religiosas, lingu\u00edsticas e hist\u00f3ricas, n\u00e3o raro hostil e de cunho fundamentalista, aparece com o outro lado da moeda no processo de generalizado da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com esse esquema dos tr\u00eas est\u00e1gios, Lefebvre constava h\u00e1 mais de 30 anos que a dimens\u00e3o informacional, devido \u00e0 quantidade avassaladora de not\u00edcias que diariamente batem \u00e0 nossa porta, tornou-se t\u00e3o imperativa que n\u00e3o deixa espa\u00e7o \u00e0s outras duas dimens\u00f5es, reflexiva e relacional. Em outras palavras, tal quantidade se sobrep\u00f5e, primeiramente, \u00e0 necessidade de parar, selecionar e refletir sobre o que vemos, ouvimos e sentimos. Isto \u00e9, sobrep\u00f5e-se ao processo de forma\u00e7\u00e3o de um ju\u00edzo cr\u00edtico e, consequentemente, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma opini\u00e3o pessoal, pr\u00f3pria e madura. Tornamo-nos nada mais e nada menos do que &#8220;correias de transmiss\u00e3o\u201d da opini\u00e3o p\u00fablica, da m\u00eddia, do senso comum, vale dizer, alto-falantes ou marionetes de quem det\u00e9m os meios de informa\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Meios que, em n\u00e3o poucos casos, representam o chamado &#8220;quarto poder\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, o mesmo excesso de informa\u00e7\u00f5es que rondam nossas vidas e nossas casas tamb\u00e9m n\u00e3o deixa espa\u00e7o para uma rela\u00e7\u00e3o dialogante com outros tipos de saber e outras vis\u00f5es de mundo. O rumor ensurdecedor das not\u00edcias parece embrutecer a sensibilidade para com a presen\u00e7a do &#8220;outro\u201d \u2013 com seus valores e tradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-culturais. O espet\u00e1culo estridente das novidades martela constantemente nossos ouvidos e nossas mentes, impossibilitando-nos de sentir as vozes que chegam &#8220;de fora\u201d. Al\u00e9m disso, mesmo na hip\u00f3tese dessa possibilidade manter-se aberta, n\u00e3o s\u00e3o muitos os que est\u00e3o dispostos a confrontar-se com valores distintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Disso resulta um duplo empobrecimento: de um lado, impedimos a n\u00f3s mesmos de reconhecer vis\u00f5es alternativas, que podem abrir janelas a horizontes novos; de outro, deitamos a perder uma possibilidade sem parar de mirar num espelho diverso daquele que nos \u00e9 familiar e que, por isso mesmo, poderia nos interpelar e nos ajudar a corrigir determinados v\u00edcios inerentes a todo saber e toda cultura. Numa palavra, desperdi\u00e7amos a oportunidade de um rec\u00edproco enriquecimento e crescimento, os quais, diga-se de passagem, jamais ocorrem sem dor e sem ren\u00fancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 nesta perspectiva do confronto com a &#8220;alteridade\u201d que o estrangeirou ou imigrante deve ser considerando n\u00e3o um problema ou invasor (vis\u00e3o fortemente associada aos governos, autoridades e \u00e0 grande m\u00eddia), mas precisamente como uma oportunidade para um processo interativo de depura\u00e7\u00e3o, purifica\u00e7\u00e3o e crescimento do patrim\u00f4nio cultural da humanidade como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves &#8211; <em>Assessor das Pastorais Sociais de Belo Horizonte<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O universo da Internet \u2013 com suas in\u00fameras redes social e suas mil possibilidades de contato, comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o \u2013 representa hoje um poderoso s\u00edmbolo de inclus\u00e3o social. A tal ponto que as pessoas impossibilitadas de acesso a esse mundo deslumbrante e encantado constituem uma nova categoria dentro da exclus\u00e3o social: os exclu\u00eddos virtuais. 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